É assim que devereis comê-lo: com os lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão; comê-lo-eis às pressas: é uma PÁSCOA para Iahweh.
E naquela noite eu passarei pela terra do Egito e ferirei na terra do Egito todos os primogênitos, desde os homens até os animais; e eu, Iahweh, FAREI JUSTIÇA SOBRE TODOS OS DEUSES DO EGITO.
O SANGUE, porém, será para vós um sinal nas casas em que estiverdes: quando eu vir o SANGUE, passarei adiante e não haverá entre vós o flagelo destruidor... Este será para vós um MEMORIAL e o celebrareis como uma festa para Iahweh; ... é um decreto perpétuo.
(...). Quando vossos filhos vos perguntarem: ‘Que rito é este?’, respondereis: ‘É o SACRIFÍCIO DA PÁSCOA PARA IAHWEH que passou adiante das casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu os egípcios, mas LIVROU NOSSAS CASAS..." (Ex 12,2-28).
Mesmo que o texto nada diga, a instituição traz todos os integrantes de um sacrifício (a vítima imolada em oferenda a Iahweh, o sangue "derramado nas casas" como "vida" e proteção do Povo de Deus, a refeição sagrada compartilhada por familiares, a queima do que sobeja por ser "santo"), e possui duas características fundamentais: foi diretamente determinada pelo próprio Deus, para ser celebrada como um MEMORIAL e estava vinculada indestacavelmente à ALIANÇA pela libertação do Povo por Iahweh, "que se lembrou da sua ALIANÇA com Abraão, Isaac e Jacó" (Ex 2,24).
Além disso, a expressão "Farei justiça sobre todos os deuses do Egito" e "a morte dos primogênitos do Egito" têm um significado profundamente religioso, a partir de uma instituição muito cara aos antigos: a PRIMOGENITURA, que, evidentemente, era estruturada com base nos primogênitos, na concepção deles, "aqueles que abrem o seio materno" (Ex 13,2) e se destinavam ao sacerdócio (Nm 3,45).
Era tão séria a instituição que, por não a respeitar, Caim teve sua oferenda rejeitada por Deus, que acolheu o sacrifício de Abel por ter oferecido "os primogênitos de seu rebanho" (Gn 4,4); na relação das genealogias só se mencionava o nome deles (Gn 5), e quando se mencionavam os outros nomes o deles era o primeiro (Gn 10); o desprezo de Esaú por ela (Gn 25,29-34) fê-lo perdê-la, ocasionando inimizade mortal entre ele e Jacó, que usurpou "sua bênção" (Gn 27), muito cobiçada, por sinal.
A ameaça de Deus ao Faraó de eliminar todos eles do Egito (Ex 11,4-10) e o cumprimento dela ocasionou a expulsão dos israelitas pelo Faraó (Ex 12,31-33), terminando este por dizer: "...parti e abençoai a mim também" (12,32), por se submeter e se render ao poder de Deus que, ao mesmo tempo que eliminou os dos egípcios poupou os dos israelitas, vencendo e assim "fazendo justiça sobre os deuses do Egito". Em conseqüência, foram os dos israelitas "consagrados a Iahweh, homens e animais; aqueles para seu serviço e estes para o sacrifício" (Ex 13).










