Apesar de cada narrador pretender abordar um ângulo diferente, existem detalhes que lhes são comuns.
Destaca-se, para o nosso exame, o Sangue da Aliança, em Mateus e Marcos, e a Nova Aliança em Meu Sangue, em Lucas e Paulo.
Em si dizem a mesma coisa, eis que, em Mateus e Marcos, Jesus é apresentado como aquele que "não veio revogar a Lei e os Profetas, mas dar-lhes pleno cumprimento" (Mt 5,17), enquanto Lucas e Paulo, ao se referir à Nova Aliança, dizem o mesmo, naturalmente já se reportando às profecias, dentre as quais se destaca:
"Eis que virão dias - oráculo de Iahweh - em que selarei com a casa de Israel (e a casa de Judá) uma Nova Aliança. Não como a Aliança que selei com seus pais, no dia em que os tomei pela mão para fazê-los sair do Egito - minha Aliança que eles mesmos romperam, embora eu fosse o seu Senhor... Porque esta á a Aliança que selarei com a casa de Israel depois desses dias,... Eu porei a minha lei no seu seio e a escreverei em seu coração. Então eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. (...). Porque todos me conhecerão,(...), perdoarei a sua culpa e não me lembrarei mais de seu pecado" (Jr 31,31-34).
"Selarei com eles um Aliança Eterna..." (Jr 31,39).
Ao que se percebe, a Nova Aliança já era um termo conhecido da Sagrada Escritura, com o que Cristo era familiarizado e pretendeu inaugurá-la durante aquela cerimônia e determinando a sua repetição.
Também, vários outros Profetas referiram-se ao advento do Messianismo (Ez 16,62; 34,23s; 36,26s; 37,24.26-28 etc.) com tal anúncio, traduzindo a consolidação da Aliança com a expiação dos pecados e, dentre outros fatos, como que coroando sua obra, a vinda do Espírito Santo, tão bem revelado por São Pedro no dia de Pentecostes (At 2,16-21 / Jl, 3,1-5).
Da mesma forma, confirmando o seu "cumprimento" em Cristo, "São Paulo" a ela se refere categoricamente:
"Eis por que Ele é mediador de uma Nova Aliança.
A sua morte aconteceu para o resgate das transgressões cometidas no regime da Primeira Aliança; e, por isso, aqueles que são chamados recebem a herança ETERNA que foi prometida. (...) Ora, nem mesmo a Primeira Aliança foi inaugurada sem efusão de sangue. De fato, depois que Moisés proclamou a todo o povo cada mandamento da lei, ele tomou o sangue de novilhos e de bodes (...) e aspergiu o próprio livro e todo o povo, anunciando: Este é o Sangue da Aliança que Deus vos ordenou. Segundo a Lei, quase todas as coisas se purificam com sangue; e sem efusão de sangue não há remissão" (Hb 9,15-22).
Cristo, na Ceia Eucarística, confirmando o que anunciara na Multiplicação dos Pães, estabelece indissolúvel união dEla com o sangue derramado na Cruz e o sangue aspergido por Moisés no Sinai:
"Moisés tomou do sangue e o aspergiu sobre o povo, e disse: -‘Este é o SANGUE DA ALIANÇA que Iahweh fez convosco...’" (Ex 24,8).
É a esse Sangue da Aliança que Cristo se identifica, como Cordeiro Pascal, na Instituição da Eucaristia, tornando-o "o cálice da Nova Aliança em meu Sangue", tal como apresentam uniformemente Mateus e Marcos de um lado, Lucas e São Paulo de outro:










