Para Mateus, Jesus deveria se identificar com Moisés, e assim, com "a Lei e os Profetas" (Mt 5,17), motivo por que o sangue deveria ser "derramado por muitos para a remissão dos pecados", lembrando os sacrifícios levíticos, bem como o da própria Páscoa após Josias, em que "sem efusão de sangue não há remissão" (Hb 9,22):
"Porque a vida da carne está no sangue. E este sangue eu vo-lo tenho dado para fazer o rito da expiação sobre o altar, pelas vossas vidas; pois é o sangue que faz expiação pela vida" (Lv 17,11 / Hb 9,22). /
"O sacerdote fará por ele o rito da expiação diante de Iahweh, e ele será perdoado, qualquer que seja a ação que ocasionou a sua culpa" (Lv 5,26).
O derramar o sangue, a que Cristo em Mateus se refere, é o rito de expiação:
"Se a sua oferenda consistir em holocausto de animal grande, oferecerá um macho sem defeito... Porá a mão sobre a cabeça da vítima e esta será aceita para que se faça por ele o rito de expiação. Em seguida imolará o novilho diante de Iahweh, e os filhos de Aarão, os sacerdotes, oferecerão o sangue. Eles o derramarão ao redor sobre o altar..." (Lv 1,3-5.11-12).
Mas, esta expiação se dá na Cruz:
"..., se alguém pecar, temos como advogado, junto do Pai, Jesus Cristo, o justo. Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados..." (1Jo 2,1-2).
"Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele quem nos amou e enviou-nos o seu filho como vítima de expiação pelos nossos pecados" (1Jo 4,10)
São Paulo vai mais longe ainda, ao lhe dar a denominação de "propiciatório", no qual a aspersão do sangue traduzia o perdão dos pecados de toda a comunidade (Lv 16,14-22):
"Deus o destinou a ser o propiciatório, por seu próprio sangue, mediante a fé" (Rm 3,25).
Jesus ao dizer-se SANGUE E SANGUE DA ALIANÇA durante a cerimônia da Ceia Eucarística, antecipa a expiação do sacrifício da Cruz.
Esse é o motivo que levou os Sinóticos a situá-los no mesmo dia, fazendo de ambos um só fato; e, São João, a aditar no seu Evangelho a menção de que ao pretenderem quebrar os ossos dos crucificados, não o fizeram com Jesus que já estava morto.
Revela o Evangelista que se cumpria a prescrição referente ao Cordeiro Pascal, de que "nenhum osso lhe será quebrado" (Ex 12,46), e assim identifica-o com Jesus.
Também, tão clara como a relação sacrificial, é a "memória" dessa vinculação indestacável ao Calvário:
Depois, tomou um cálice e dando graças deu-lho dizendo: ‘Bebei dele todos, pois ISTO É O MEU SANGUE, O SANGUE DA ALIANÇA, que é derramado por muitos para remissão dos pecados." "...fazei-o em memória de mim" (Mt 26,26-28/Mc 14,22-24/Lc 22,19-20/1Cor 11,23-25).
Além da relação sacrificial e de comunhão de uma refeição sagrada, e como bebendo o seu sangue recebe-se sua vida (Lv 17,11a), a EUCARISTIA É O SACRIFÍCIO PERFEITO DA NOVA ALIANÇA E FONTE DE VIDA, SACRAMENTO, FONTE DE SANTIFICAÇÃO, tal como dissera, "Eu vim para que tenham vida e a tenham em plenitude" (Jo 10,10).
A Eucaristia atualiza e realiza todos aqueles valores que em "figura" eram pertinentes à Páscoa dos Judeus, que pela Aliança libertou o Povo de Deus do Egito e o conduziu à Terra Prometida; e, agora, "se cumprindo" na Páscoa Cristã, pela Nova Aliança, liberta o Homem do pecado e o conduz à Vida Eterna.










