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A Palavra de Deus
Bíblia Católica

Destaques
Enviado por doutrina em 11/08/2010 16:58:00 (3107 leituras)

Autor: Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
Fonte: http://www.catolicanet.com/?system=news&action=read&id=58337&eid=301



Nem sempre se reflete bastante sobre a advertência de Jesus: “A quem muito foi dado, muito será pedido” (Lc 12,48). O ser humano vive inundado nos dons divinos: a existência, a família, os amigos, as qualidades físicas, intelectuais e morais, os bens materiais, a conservação da vida, as numerosíssimas graças espirituais, o perdão diuturno, enfim um oceano de dádivas. Não se pode malbaratar impunemente o que se recebe do Criador. O notável psicólogo francês René Le Senne, com muita razão afirmou que todos possuem qualidades inestimáveis. A má administração destas qualidades é que geram os defeitos por não se procurar o equilíbrio psicossomático. Célebre o dito de Sócrates, filósofo grego: “Conhece-te a ti mesmo”. Cada um tem um perfil caracterológico bem determinado e precisa colocar seus dotes a serviço próprio e dos outros. Um dos mais lamentáveis erros hodiernos é o da baixa estima, fruto da depreciação das próprias habilidades o que partureja a inveja. Disto resulta, outrossim, a ingratidão para com Deus não lhe agradecendo os bens recebidos. Lembra São Tiago: “Toda dádiva perfeita vem do alto, descendo do Pai das luzes” (Tg 1,16). Eis por que diz o Livro do Eclesiastes: “Que alguém coma e beba e goze do seu trabalho é dom de Deus” [...] E quem recebeu de Deus riquezas e bens e a possibilidade de gozar deles, desfrutar-lhes a sua parte e alegrar-se entre os seus cuidados, também isso é dom de Deus! (Ec 3,13. 5,18). O Espírito Santo comunica carismas especiais aos seguidores de Cristo como São Paulo enumera em suas várias cartas. O dom da profecia que é a capacidade peculiar de denunciar os erros, o dom do serviço, do ensinamento, da coragem, da generosidade, da misericórdia, do discernimento dos espíritos. As diversas pastorais oferecem oportunidade para o exercício e desenvolvimento destas capacidades colocadas a bem do próximo. Cada um, além disto, tem uma vocação específica e nas diversas profissões pode e deve trabalhar para si e para os outros. Como diz o ditado, é preciso sempre “o homem certo no lugar certo”. As capacidades humanas, porém, se desenvolvem, como Deus previu para cada um, quando se confia inteiramente nele, pedindo-Lhe força para bem executar as tarefas cotidianas. Cumpre fazer bem, com todo empenho, a ocupação de cada instante e, aliás, sábia a diretriz “Age quod agis”, do poeta grego, Xenofanes. Não se mede nem se avalia uma existência pelo número de anos, nem pelo período histórico, mas, sim, pela vivência plena e intensa, repleta de ações que perenemente repercutirão. Bem afirmou Vieira: "Nem todos os anos que passam se vivem: uma coisa é contar os anos, outra é vivê-los". As ações são, em verdade, os dias e é por elas que têm valor os anos, sempre cada um se lembrando de que “a quem muito foi dado, muito será pedido”. O viver em plenitude cada instante é o segredo da verdadeira vida. O importante é viver bem, cultivando os dons recebidos de Deus. Eis porque Horácio, poeta latino, lançou esta sentença: "carpe diem, quam minimum credula postero" - aproveita o dia presente e não queiras confiar no de amanhã. Escrivá dá este conselho: "Que a tua vida não seja estéril. Sê útil. Deixa rasto". Goethe dá o motivo: "Cada momento, cada segundo é de um valor infinito, pois ele é o representante de uma eternidade inteira". Idéia já expressa por Apuleio: "tempus aevi imaginem" - o tempo é a imagem da eternidade. Virgílio advertiu que não se pode dissipar o tempo: "Fugit irreparabile tempus" - foge o irreparável tempo. Razão teve Riminaldo ao escrever: "Há quatro coisas que não voltam atrás: a pedra, depois de solta da mão; a palavra, depois de proferida; a ocasião, depois de perdida; e o tempo, depois de passado". Tudo isso merece uma reflexão profunda, pois cada um de nós dará um dia contas a Deus do tempo e das dádivas dele recebidos e Jesus alertou “a quem muito foi dado, muito será pedido”. * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.



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"Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!" 1Cor 9,16
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